Viajar na Mongólia é uma bênção. É um terra imensa - cerca de três vezes o tamanho da França - onde a maior fatia da população ainda é nómada. Mas o facto mais impressionante é que praticamente não existem vedações ou muros porque a noção de propriedade territorial não faz parte da forma de estar mongol. São os horizontes mais vastos que conheci.
Escolhi visitar três regiões, que percorri ao longo de dois meses: o deserto do Gobi, a sul, o lago Khovsgöl, a norte, e os montes Altai, a oeste. Cada uma delas tem a sua própria identidade paisagística e cultural, como a floresta taiga junto à fronteira com a Sibéria, onde a espiritualidade dos habitantes é marcadamente animista; ou as províncias do oeste, habitadas por Kazaks muçulmanos, ruivos e de olhos claros.
A logística, não sendo difícil, teve de ser muito racional, já que tive de transportar tudo comigo, algumas vezes a cavalo: tenda, fogareiro, saco-cama e, claro, o material fotográfico que igualava em peso o restante equipamento. Perdi oito quilos mas valeu a pena.
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